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BlogDia Internacional da Mulher – Por que essa data precisou existir e por que ela ainda permanece?

Quando se olha pra trás, aprendendo com o que o dinamismo da história  nos ensina, entende-se que a existência dessa data não é bem de uma comemoração, de uma celebração ou de um festejo de presentes. Em verdade, é mais uma lembrança, uma homenagem. Uma mobilização. O dia de hoje é um lembrete de eternos anos novos na história dos direitos femininos, é resultado de uma luta que, há muito, vem sendo necessariamente lutada, muito embora ainda se deseje que assim não precisasse ser.

O contexto era o da Revolução Industrial, da cinzenta época fabril que finalizava o século 19, quando as organizações femininas começavam a protestar por condições justas e igualitárias de trabalho. Movimentos operários sustentados por mulheres reivindicavam melhores jornadas e salários, que beiravam as 15 horas diárias por um pagamento considerado medíocre. Além disso, o fim do trabalho infantil, realidade comum e aceita na época, também fazia parte da luta. Seguindo esse despertar, conta-se que o primeiro dia em prol das mulheres tenha sido instituído em Maio de 1908, nos Estados Unidos, data em que 1.500 vidas femininas aderiram a mais uma manifestação em favor da igualdade econômica e política no país. Em 1909, no ano seguinte, o Partido Socialista do país oficializou 28 de Fevereiro como a data marco do Dia Nacional da Mulher, em que mais de três mil pessoas se reuniram no centro nova-iorquino, em Novembro do mesmo ano, transformando-se em uma greve têxtil que fez falir quase 500 fábricas americanas.

Dentre todos esses indispensáveis movimentos e dos tantos outros que se enraizaram evocando a voz feminina, foi em 1910 que a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas aprovou uma resolução de uma data anual como registro dos direitos até então conquistados. Reunidos na Dinamarca, mais de cem representantes de 17 nações honraram o objetivo de alcançar o suporte necessário à instituição do sufrágio universal, ou seja, de tentar garantir às mulheres o direito básico de inclusive poderem eleger seus governantes.

É evidente, apesar dos avanços históricos, que todas essas movimentações tenham sido violentamente reprimidas, nem sempre entendidas como uma revolução digna.  Inúmeras fontes, por exemplo, remetem o início da criação do Dia Internacional da Mulher ao famoso misterioso incêndio ocorrido na Nova York de 1911, em que 130 operárias da Triangle Shirtwaist Factory morreram carbonizadas, não se sabendo bem se coincidentemente ou não, se pelo silêncio ou pelas péssimas condições de segurança da fábrica. Em meio à Primeira Grande Guerra (1914-1918), logo em seguida, os protestos continuavam a se espalhar como pandemias, tamanha a insatisfação vivida, assumindo as mais diversas causas. A Rússia de 1917, nesse contexto, contribuiu à eclosão do famoso protesto conhecido como “Pão e Paz”, que reuniu 90.000 operárias contra, ainda, as más condições de trabalho, a fome e, também, a participação russa na Guerra. A data desse acontecido foi nada menos que 08 de Março de 1917, oficializada, anos depois, somente em 1921, como o então Dia Internacional da Mulher, o dia de hoje. Mais tarde, precisou-se de mais de duas décadas pra que a Organização das Nações Unidas – ONU assinasse o primeiro acordo internacional que defendia princípios de igualdade e justiça entre homens e mulheres, o que aconteceu em 1945, ano do fim da Segunda Grande Guerra.

As fantasias acerca da intenção e da veracidade dos fatos alimentam as estórias e as versões contadas e recontadas, hoje, quase como lendas. A certeza necessária, no entanto, é a de que cada um desses acontecimentos – tortos ou não – reforçou o que precisava ser iniciado, servindo à causa feminina como mais uma fênix, mais uma cicatriz e uma eterna lembrança de constantes adeus aos “anos velhos”.

A mensagem permanente é a de um mundo cada vez mais capaz de compreender a liberdade e a autenticidade de ser mulher – de ser humano – precisando cada vez menos de uma data marco pra isso.